terça-feira, 4 de maio de 2010

Morte de Tito completa hoje 30 anos

O 4 de maio deste ano marcou o aniversário de 30 anos da morte do ex-líder iugoslavo Josip Broz Tito.

Nascido em Kumorvec, um vilarejo da atual Croácia em 1892, Tito foi o maior responsável pela libertação da Iugoslávia do domínio nazista durante a Segunda Guerra Mundial, comandando a Frente de Libertação Nacional - seus integrantes eram conhecidos como partizans. Chegou ao poder no país em 1945, como primeiro-ministro, e assumiu a presidência em 1953, saindo dela somente após morrer em um hospital de Ljubljana, na atual Eslovênia.



Durante esse tempo, Tito conduziu a Iugoslávia para o bloco comunista da Europa, mas não era alinhado com o regime soviético. Isso permitiu a Tito ter maior liberdade de atuação no país e também fora dele. Tito tornou-se um dos principais expoentes do não-alinhamento durante a Guerra Fria. Em 1961, ele promoveu a Conferência Internacional dos Países Não-Alinhados, onde ficou determinado que as nações participantes tomariam uma postura de neutralidade em relação à Guerra Fria.

Outra prova de respeito da comunidade internacional em relação a Tito foi seu funeral, que reuniu em Belgrado delegações de 128 países.

Tito também conduziu com mão-de-ferro o país, não deixando que nada escapasse ao seu controle – para o bem e para o mal. Um de seus grandes méritos foi o de esfriar as disputas envolvendo os povos que compunham a Iugoslávia. Conseguia fazer com que sua autoridade fosse respeitada por todos os povos. E sua morte, para muitos, significou o começo do fim da antiga Iugoslávia, já que a partir dela os choques entre sérvios, croatas e Cia. começaram a se tornar mais intensos até explodirem de vez no começo da década de 1990

O túmulo de Tito, em Belgrado, é um dos principais pontos turísticos da atual capital sérvia. Estima-se que 17 milhões de pessoas já estiveram no local desde 1980

PS: A Avenida Marechal Tito, uma das vias mais importante do extremo leste da cidade de São Paulo, foi batizada assim em homenagem ao ex-líder iugoslavo

domingo, 2 de maio de 2010

Rastko Pocesta, 12 anos, ativista

O sérvio Rastko Pocesta, com apenas 12 anos, é ativista de Direitos Humanos em seu país. Ele ficou famoso com artigos publicados em blogs e no Facebook, onde faz campanha para que a Sérvia participe da União Europeia (UE) e da Otan.

Para ele, o ingresso do país no bloco europeu traria estabilidade econômica e prosperidade ao país; quanto a Otan, Pocesta diz que a adesão à aliança militar ajudaria na segurança dos sérvios.

Ele ainda tem uma outra posição, para lá de polêmica na Sérvia: defende a independência do Kosovo, o que é visto paraticamente como uma heresia pela maior parte do país.

Por essas posições políticas, o garoto é ameaçado de morte por grupos ultranacionalistas – que ainda são fortes no país – e que o acusam de trair os valores sérvios. A organização direitista Obraz, que considera todo sérvio pró-Ocidente um traidor, faz o seguinte comentário sobre Pocesta na internet:
"Nós deveríamos quebrar os ossos dessa criança, e então as suas ideias."

Li um dos artigos do garoto publicado no site de relacionamentos Facebook – com a ajuda de tradutores online, claro, Nele, Pocesta critica a Rússia, aliada histórica da Sérvia, afirmando que Moscou apenas se utiliza de Belgrado para manter hegemonia sobre a região dos Bálcãs e da falta de democracia do país.

Atualmente, vive sob proteção oficial do governo – que tem inclinação pró-Ocidente, como Pocesta.

A situação de Rastko Pocesta mostra bem a divisão política no país. A Sérvia tenta deixar para trás a má impressão com a qual ficou após as guerras dos anos 90 na região. Ao mesmo tempo, movimentos ultranacionalistas ainda encontram simpatia junto à população. O atual governo do país é pró-Ocidente, é favorável à aproximação do país com o Ocidente, visando a entrada da sérvia na Otan e na EU – assim como o garoto Pocesta. Mas outra parcela da população não vê com bons olhos essa política – e a oposição está bem atenta a esses anseios.

Uma dúvida certamente deve vir à sua mente, assim como vem à minha: existe alguém por trás de Pocesta? Fica até difícil imaginar como um garoto de 12 anos consegue escrever e opinar sobre assuntos tão complexos e espinhosos. De qualquer forma, vale a pena ficar de olho no que ele escreve e prega, e assim entender um pouco mais da complexa realidade desse país do leste da Europa.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ainda sem Peixe Grande, serve peixe pequeno

Enquanto o “Peixe-Grande” Ratko Mladic, comandante das tropas sérvio-bósnias do massacre de Srebrenica (Bósnia) não aparece, peixes menores vão caindo na rede mundo afora.

O mais recente capturado é o ex-soldado sérvio-bósnio Marko Boskic, 46. Ele foi preso nos EUA por mentir sobre seu engajamento militar durante a guerra na Bósnia entre 1992 e 1995 e agora foi extraditado para a Bósnia, onde deve se juntar a outros que estão sendo julgados pelos crimes cometidos durante a Guerra da Bósnia.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mais um capturado

Ainda não foi Ratko Mladic, mas outro suposto envolvido no massacre de Srebrenica foi capturado. Trata-se do esloveno Franc Kos, detido em um ônibus na cidade croata de Osijek, quando tentava deixar o país rumo à Sérvia.

Kos é considerado membro de uma unidade especial das forças servo-bósnias que executaram mais de 8.000 homens e garotos bósnios após a ocupação de Srebrenica, em julho de 1995.

A Procuradoria da Bósnia já anunciou que pedirá a extradição de Kos, que também tem passaporte bósnio.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A nova investida da Turquia na Europa

Boa parte da história turca está relacionada com os Bálcãs. Basta lembrar que esta região da Europa esteve sob domínio otomano por mais de 400 anos. Hoje ainda permanece com um pedaço de território em solo europeu, do tamanho do estado de Sergipe, onde está parte da antiga cidade de Constantinopla – rebatizada de Istambul após a queda do Império Bizantino, em 1453. Essa peculiaridade faz da cidade de Istambul a única no mundo a estar em dois continentes ao mesmo tempo.

Por isso, chama a atenção a entrevista do chanceler turco, Ahmet Davutoglu, ao jornal “Folha de S. Paulo”. O foco principal é o papel de mediador ao qual o país se propõe assumir em relação ao vizinho Irã. Mas também revela que o país pretende usar sua localização estratégica no globo para aumentar sua influência, seja no Oriente Médio, seja nos Bálcãs – duas regiões nas quais o antigo Império Otomano deteve a supremacia por séculos.

Eis alguns trechos da entrevista que o chanceler turco, durante visita a Brasília, concedeu ao jornal:

“O Brasil é líder de processos regionais na América Latina, e a Turquia tem esse papel no Oriente Médio, nos Bálcãs e na Ásia Central.”

"Recentemente, ajudamos a promover a abertura do diálogo entre a Bósnia e a Sérvia, que já levou à normalização da relação bilateral, com a nomeação de um embaixador bósnio em Belgrado. Posso dar muitos outros exemplos.”

“Nosso objetivo estratégico é nos tornarmos membros da UE, e esse processo vai continuar. Ao mesmo tempo, a Turquia quer estar ativamente envolvida em todos os processos nas regiões vizinhas, do Oriente Médio aos Bálcãs, numa política que chamamos de problema zero e integração máxima com a vizinhança. Na verdade, é uma política compatível com os valores europeus.”


Uma das perguntas feitas pela Folha merece destaque. Ela questiona o chanceler turco acerca das pretensões do país, como se houvesse a intenção de reviver o Império Otomano:

FOLHA - Há entre alguns líderes árabes a desconfiança de que a Turquia estaria tentando reviver o Império Otomano. Como o senhor responde a essas suspeitas?
DAVUTOGLU - A Turquia respeita todos os países que foram parte do território otomano no passado. Somos Estados iguais, não queremos dominar nenhum deles nem a região. Mas, por causa da história comum, temos certas responsabilidades. Por exemplo, quando houve a guerra na Bósnia, em 1993, e milhares de bósnios foram mortos, milhares de mulheres bósnias foram estupradas, os bósnios pediram ajuda a nós, viram na Turquia um lugar de refúgio.
O mesmo aconteceu em Kosovo, na Tchetchênia. Quando os curdos foram perseguidos por Saddam [Hussein] no Iraque, mais de 195 mil vieram para a Turquia. Por quê? Porque acham que podemos ajudá-los a resolver seus problemas. Essas comunidades consideram que temos responsabilidades especiais, e estamos tentando dar conta delas. Tentamos criar ordem à nossa volta, não dominar nenhum país ou região.


A entrevista completa pode ser lida no link abaixo:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u723068.shtml

domingo, 18 de abril de 2010

Nova fase no júri de Kardzic

O julgamento do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic no Tribunal Penal Internacional de Haia (Holanda) entrou em uma nova fase na última terça-feira (13).

O ex-presidente da autoproclamada República Sérvia da Bósnia, que assumiu sua própria defesa, é confrontado com testemunhas de acusação. A primeira delas, o muçulmano bósnio Ahmet Zulic, disse aos juízes que os sérvios queimaram seu sogro vivo durante a brutal tomada de sua vila no começo da guerra na Bósnia, em 1992. O depoimento durou cerca de 90 minutos e Karadzic chamou de “tendencioso” o testemunho.

Caso seja condenado, Karadzic pode pegar prisão perpétua.

Palpite: o veredicto de Karadzic deve sair antes de 11 de julho, dia que marca o aniversário do massacre de Srebrenica. Mais um elemento que deve ajudar a comunidade internacional a – pelo menos tentar, mesm0 que tardiamente – acertar as contas com o povo bósnio.

sábado, 3 de abril de 2010

Antes tarde do que nunca

Em resolução histórica, o Parlamento sérvio aprovou, no último dia 31/03, a condenação oficial do país ao massacre de Srebrenica (Bósnia), ocorrido em 11 de julho de 1995, quando tropas sérvio-bósnias mataram 8 mil bósnios muçulmanos.

O texto, aprovado por 127 dos 173 deputados, se solidariza com as famílias das vítimas e pede desculpas "por não ter sido feito todo o possível para evitar a tragédia".

Se for pela filosofia “Antes tarde do que nunca”, é um grande avanço. Mas não deixa de ser tardio.

É também mais um recado do governo sérvio à UE, mostrando sua disposição em integrar-se ao universo europeu e tentar ao máximo se redimir do peso histórico vindo das guerras nos Bálcãs da década de 1990. E também aos criminosos de guerra ainda soltos (diga-se Ratko Mladic).

Mais detalhes, acesse o texto da Deutsche Welle sobre o assunto:

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5415750,00.html?maca=bra-newsletter_br_Destaques-2362-html-nl

Apenas o Kosovo permanece como pauta inegociável nas relações internacionais da Sérvia. Por quanto tempo, isso não se sabe.