A ex-república soviética do Cazaquistão ficou célebre no mundo em 2006 com a exibição nos cinemas do filme humorístico “Borat”, do britânico Sacha Baron Cohen. A imagem que ganhou o mundo, no entanto, não foi das mais favoráveis ao país, retratado de forma sarcástica no longa como um lugar atrasado. O longa do humorista inclusive, teve a exibição vetada no país asiático.
Para tentar mudar essa distorção o cineasta local Erkin Rakishev anuncia que fará uma continuação do longa de Cohen, intitulado “My brother, Borat”. Na nova história, um jornalista americano chamado John vai ao Cazaquistão após assistir ao famigerado “Borat”. Lá, conhece Bilo, irmão do repórter vivido por Sacha, que o leva a conhecer o verdadeiro país.
"Todo cazaque que vai ao Ocidente sente desconforto ao dizer de onde vem porque os ocidentais associam o país ao filme Borat", disse Rakishev à BBC. Queremos que o público ocidental assista (ao novo filme) e tenha uma melhor compreensão de como é o Cazaquistão na realidade", completa. A matéria completa da BBC Brasil sobre o assunto pode ser lida aqui.
O filme de Rakshev, no entanto, também aposta em cenas satíricas, algumas até polêmicas. Em uma delas, Bilo é estuprado por um jumento e, em outra, uma mulher idosa é vista batendo nos dois personagens principais com uma vareta.
A previsão é que o novo longa seja lançado no país em 2011
O Cazaquistão, país de maioria muçulmana, ocupa a 66ª posição no IDH e tem sua economia baseada sobretudo em reservas de petróleo e gás natural. É governado com mão de ferro desde 1991 por Nursultan Nazarbayev, aliado de Moscou, e é conhecido por perseguir opositores.
Esse lado mais obscuro do real Cazaquistão provavelmente não será confrontado pelo filme de Erkin Rakishev.
*Postagem número 100 deste blog
terça-feira, 30 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
Vukovar, uma versão croata de Srebrenica
Se o dia 11 de julho de 1995 é lembrado com pesar pelos bósnios devido ao massacre em Srebrenica, a Croácia tem sentimento semelhante quanto ao dia 18 de novembro de 1991. Naquele dia, a pequena cidade de Vukovar, próxima à fronteira com a atual Sérvia, sucumbiu a um cerco formado por tropas sérvias que durou três meses. Cerca de 200 pessoas morreram na ação.
O episódio foi um dos mais críticos da guerra de independência da Croácia, iniciada em 1991 e encerrada oficialmente somente com o acordo de paz de Dayton, em novembro de 1995.
Claro, a dimensão do cerco e ataque a Vukovar foi menor do que o ocorrido quatro anos depois na Bósnia, mas foi o suficiente para, na época, a Comunidade Europeia (atual UE) adotar sanções contra a Sérvia.
A pequena cidade croata hoje conta com apenas cem habitantes. No bairro de Ovcara, onde foram encontradas valas comuns com pelo menos 264 corpos, foi erguido um memorial às vítimas do cerco.
O presidente sérvio, Boris Tadic, foi o primeiro governante do país a visitar o memorial, no último dia 4 de novembro. Na ocasião, pediu desculpas pelo ataque, que matou quase 200 civis e prisioneiros de guerra croatas.
O gesto histórico de Tadic, o primeiro governante sérvio a visitar Vukovar, é de fato um importante passo em direção à reconciliação entre os dois povos. Ambos sonham com o ingresso no UE – até agora só a Eslovênia já chegou lá, entre as ex-repúblicas iugoslavas – e alimentar as rusgas entre os dois países seria ruim para ambos.
As diferenças, contudo, ainda são fortes e com profundas raízes dos dois lados. Por exemplo, nunca é demais lembrar que, na Sérvia, chamar alguém de “croata” é uma grave ofensa.
O episódio foi um dos mais críticos da guerra de independência da Croácia, iniciada em 1991 e encerrada oficialmente somente com o acordo de paz de Dayton, em novembro de 1995.
Claro, a dimensão do cerco e ataque a Vukovar foi menor do que o ocorrido quatro anos depois na Bósnia, mas foi o suficiente para, na época, a Comunidade Europeia (atual UE) adotar sanções contra a Sérvia.
A pequena cidade croata hoje conta com apenas cem habitantes. No bairro de Ovcara, onde foram encontradas valas comuns com pelo menos 264 corpos, foi erguido um memorial às vítimas do cerco.
O presidente sérvio, Boris Tadic, foi o primeiro governante do país a visitar o memorial, no último dia 4 de novembro. Na ocasião, pediu desculpas pelo ataque, que matou quase 200 civis e prisioneiros de guerra croatas.
O gesto histórico de Tadic, o primeiro governante sérvio a visitar Vukovar, é de fato um importante passo em direção à reconciliação entre os dois povos. Ambos sonham com o ingresso no UE – até agora só a Eslovênia já chegou lá, entre as ex-repúblicas iugoslavas – e alimentar as rusgas entre os dois países seria ruim para ambos.
As diferenças, contudo, ainda são fortes e com profundas raízes dos dois lados. Por exemplo, nunca é demais lembrar que, na Sérvia, chamar alguém de “croata” é uma grave ofensa.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Sérvia oferece 10 milhões de euros por acusado de genocídio
Dez milhões de euros. É o que oferece o governo sérvio pela captura do general sérvio-bósnio Ratko Mladic, acusado de crimes de guerra durante a Guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995. Foi ele quem comandou o massacre à pequena cidade de Srebrenica ,em 11 de julho de 1995, no qual cerca de 8 mil pessoas foram mortas.
Foragido desde o fim do conflito, o paradeiro do militar continua sendo uma incógnita. Agora com 68 anos, especula-se que estaria escondido em algum lugar da capital sérvia, Belgrado.
A captura de Radovan Karadzic em 2008 – ex-presidente da República Sérvia da Bósnia e também apontado como um dos responsáveis pelo massacre de Srebrenica – amenizou as críticas da comunidade internacional à Sérvia, suspeita de acobertar os fugitivos. Ao mesmo tempo, mostra que achar o general não é uma tarefa impossível, servindo como elemento para pressionar o governo a encontrar Mladic.
Apesar do aumento da recompensa – era de um milhão de euros até outubro –, o empenho de Belgrado é visto com desconfiança por parte da comunidade internacional, já que o militar é considerado um herói pelos nacionalistas sérvios – cujos ideais cativam parcela considerável do eleitorado do país..
A biografia do general traz ainda mais elementos que reforçam tal imagem: ele teve os pais mortos durante a Segunda Guerra Mundial por nacionalistas croatas – que na época eram alinhados com a Alemanha nazista. A filha mais nova do general se suicidou em 1994 – supostamente ao ver uma matéria de jornal que chamava o pai de assassino, o que teria aumentado a fúria de Mladic.
Outro impedimento seria a própria disposição da sociedade sérvia em entregar o militar. Uma pesquisa feita pela rede de televisão local B92 revela que somente 14,29% dos entrevistados revelariam informações sobre o paradeiro de Mladic, enquanto 65,14% não o fariam e outros 20,57% declararam não ter opinião formada a respeito.
Existe a pressão externa para a Sérvia achar e prender Mladic. Belgrado tem mostrado empenho, já que a captura facilitaria o ingresso do país na sonhada UE e ajudaria a desconstruir a imagem negativa criada especialmente durante a era Milosevic. Mas o apoio do qual o general goza dentro da Sérvia jogam contra esse empenho.
A novela Mladic deve ganhar mais e mais novos capítulos.
Foragido desde o fim do conflito, o paradeiro do militar continua sendo uma incógnita. Agora com 68 anos, especula-se que estaria escondido em algum lugar da capital sérvia, Belgrado.
A captura de Radovan Karadzic em 2008 – ex-presidente da República Sérvia da Bósnia e também apontado como um dos responsáveis pelo massacre de Srebrenica – amenizou as críticas da comunidade internacional à Sérvia, suspeita de acobertar os fugitivos. Ao mesmo tempo, mostra que achar o general não é uma tarefa impossível, servindo como elemento para pressionar o governo a encontrar Mladic.
Apesar do aumento da recompensa – era de um milhão de euros até outubro –, o empenho de Belgrado é visto com desconfiança por parte da comunidade internacional, já que o militar é considerado um herói pelos nacionalistas sérvios – cujos ideais cativam parcela considerável do eleitorado do país..
A biografia do general traz ainda mais elementos que reforçam tal imagem: ele teve os pais mortos durante a Segunda Guerra Mundial por nacionalistas croatas – que na época eram alinhados com a Alemanha nazista. A filha mais nova do general se suicidou em 1994 – supostamente ao ver uma matéria de jornal que chamava o pai de assassino, o que teria aumentado a fúria de Mladic.
Outro impedimento seria a própria disposição da sociedade sérvia em entregar o militar. Uma pesquisa feita pela rede de televisão local B92 revela que somente 14,29% dos entrevistados revelariam informações sobre o paradeiro de Mladic, enquanto 65,14% não o fariam e outros 20,57% declararam não ter opinião formada a respeito.
Existe a pressão externa para a Sérvia achar e prender Mladic. Belgrado tem mostrado empenho, já que a captura facilitaria o ingresso do país na sonhada UE e ajudaria a desconstruir a imagem negativa criada especialmente durante a era Milosevic. Mas o apoio do qual o general goza dentro da Sérvia jogam contra esse empenho.
A novela Mladic deve ganhar mais e mais novos capítulos.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Esporte, assunto de Estado na Rússia
A exemplo dos tempos de União Soviética e Guerra Fria, o esporte é ser tratado como uma questão de Estado na Rússia. Prova disso é o empenho do Kremlin para trazer eventos de grande porte ao país e desenvolver modalidades – especialmente o futebol.
A Rússia será sede dos próximos Jogos de Inverno, em 2014, na cidade de Sochi. No mesmo ano, sediará sua primeira corrida de Fórmula 1 – já conta com o russo Vitaly Petrov, da escuderia Renault, entre os competidores. Ainda no campo da velocidade, a montadora Marussia assumiu o controle da escuderia Virgin, da qual era apenas patrocinadora.
O grande objetivo da Rússia, no entanto, é receber a Copa do Mundo de 2018. E não deve faltar dinheiro para o empreendimento, que tem orçamento disponível de US$ 30 bilhões – três vezes mais do que a previsão de investimentos para a Copa de 2014, no Brasil.
Outra frente na qual atua o futebol russo são os clubes e o campeonato local. Os times do país não economizam para trazer grandes reforços e tentar aumentar o nível do torneio nacional – torna-se, inclusive, destino já comum para jogadores brasileiros, como o meia Carlos Eduardo (Rubin Kazan) e o atacante Vagner Love (CSKA).
Grandes empresas do país são responsáveis por boa parte dos recursos recebidos pelos clubes de maior projeção atualmente nos cenários nacional e europeu –como Spartak de Moscou (Lukoil, petróleo) e Zenit (Gazprom, gás natural). Sobra dinheiro até para clubes emergentes, como o Rubin Kazan– bancado por uma empresa de diamantes – atual campeão russo e que joga a Liga dos Campeões.
O retorno já pode ser notado em campeonatos europeus, com as conquistas de CSKA e Zenit na antiga Copa da Uefa (hoje Liga Europa), em 2005 e 2009, respectivamente. Na seleção nacional, chegou às semifinais da Euro-2008, perdendo para a campeã Espanha, e ficou fora das Copas de 2006 e 2010. Com jogadores de destaque, como os atacantes Arshavin e Pavlyutchenko, e tendo parte dos recursos aplicada em divisões de base, resultados mais expressivos no futebol devem chegar a médio e longo prazo.
Na verdade, o fortalecimento da Rússia no cenário esportivo – já consolidado em modalidades como o vôlei, ginástica e esportes de inverno – por meio de recursos públicos, de empresas estatais ou privadas com boas relações junto ao Kremlin, revela uma nova frente da política externa de Moscou. Faz parte de uma estratégia já iniciada pelo então presidente Vladimir Putin de recuperar o prestígio perdido pelo país na dura transição do regime soviético para o capitalista.
A Rússia será sede dos próximos Jogos de Inverno, em 2014, na cidade de Sochi. No mesmo ano, sediará sua primeira corrida de Fórmula 1 – já conta com o russo Vitaly Petrov, da escuderia Renault, entre os competidores. Ainda no campo da velocidade, a montadora Marussia assumiu o controle da escuderia Virgin, da qual era apenas patrocinadora.
O grande objetivo da Rússia, no entanto, é receber a Copa do Mundo de 2018. E não deve faltar dinheiro para o empreendimento, que tem orçamento disponível de US$ 30 bilhões – três vezes mais do que a previsão de investimentos para a Copa de 2014, no Brasil.
Outra frente na qual atua o futebol russo são os clubes e o campeonato local. Os times do país não economizam para trazer grandes reforços e tentar aumentar o nível do torneio nacional – torna-se, inclusive, destino já comum para jogadores brasileiros, como o meia Carlos Eduardo (Rubin Kazan) e o atacante Vagner Love (CSKA).
Grandes empresas do país são responsáveis por boa parte dos recursos recebidos pelos clubes de maior projeção atualmente nos cenários nacional e europeu –como Spartak de Moscou (Lukoil, petróleo) e Zenit (Gazprom, gás natural). Sobra dinheiro até para clubes emergentes, como o Rubin Kazan– bancado por uma empresa de diamantes – atual campeão russo e que joga a Liga dos Campeões.
O retorno já pode ser notado em campeonatos europeus, com as conquistas de CSKA e Zenit na antiga Copa da Uefa (hoje Liga Europa), em 2005 e 2009, respectivamente. Na seleção nacional, chegou às semifinais da Euro-2008, perdendo para a campeã Espanha, e ficou fora das Copas de 2006 e 2010. Com jogadores de destaque, como os atacantes Arshavin e Pavlyutchenko, e tendo parte dos recursos aplicada em divisões de base, resultados mais expressivos no futebol devem chegar a médio e longo prazo.
Na verdade, o fortalecimento da Rússia no cenário esportivo – já consolidado em modalidades como o vôlei, ginástica e esportes de inverno – por meio de recursos públicos, de empresas estatais ou privadas com boas relações junto ao Kremlin, revela uma nova frente da política externa de Moscou. Faz parte de uma estratégia já iniciada pelo então presidente Vladimir Putin de recuperar o prestígio perdido pelo país na dura transição do regime soviético para o capitalista.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Lady Gaga usa bandeira da Eslovênia em show na Croácia
A cantora Lady Gaga protagonizou uma grande gafe geográfica durante show em Zagreb, capital da Croácia, no último sábado.
Além de ter pedido aos fãs que mostrassem as genitálias – o que não pode ser considerado uma surpresa, em se tratando de Lady Gaga – ela se embrulhou depois em uma bandeira da vizinha Eslovênia.
A mídia local especula se o episódio foi mesmo um erro da cantora ou algum tipo de provocação.
A relação entre croatas e eslovenos não é das mais cordiais. Os dois países nunca guerrearam entre si, mas possuem arestas que se arrastam por anos. Atualmente a grande discussão entre croatas e eslovenos é uma disputa territorial que, para a Eslovênia, pode custar a perda do já minúsculo litoral do país.
Por outro lado, a Eslovênia é a única das antigas repúblicas iugoslavas que já faz parte da UE. A vizinha Croácia é uma das candidatas a entrar no bloco, mas o ingresso enfrenta justamente a oposição da Eslovênia.
A disputa territorial entre croatas e eslovenos rende episódios inusitados. Um deles, já relatado neste blog (clique aqui para saber mais) é a taverna Kalin, localizada exatamente na fronteira entre os dois países e com direito a uma faixa amarela dentro do estabelecimento demarcando a fronteira.
Além de ter pedido aos fãs que mostrassem as genitálias – o que não pode ser considerado uma surpresa, em se tratando de Lady Gaga – ela se embrulhou depois em uma bandeira da vizinha Eslovênia.
A mídia local especula se o episódio foi mesmo um erro da cantora ou algum tipo de provocação.
A relação entre croatas e eslovenos não é das mais cordiais. Os dois países nunca guerrearam entre si, mas possuem arestas que se arrastam por anos. Atualmente a grande discussão entre croatas e eslovenos é uma disputa territorial que, para a Eslovênia, pode custar a perda do já minúsculo litoral do país.
Por outro lado, a Eslovênia é a única das antigas repúblicas iugoslavas que já faz parte da UE. A vizinha Croácia é uma das candidatas a entrar no bloco, mas o ingresso enfrenta justamente a oposição da Eslovênia.
A disputa territorial entre croatas e eslovenos rende episódios inusitados. Um deles, já relatado neste blog (clique aqui para saber mais) é a taverna Kalin, localizada exatamente na fronteira entre os dois países e com direito a uma faixa amarela dentro do estabelecimento demarcando a fronteira.
domingo, 31 de outubro de 2010
Mesquita vira motivo de polêmica na Rússia
O islamismo não é motivo de polêmicas apenas na Europa Ocidental. No leste europeu, mais exatamente na Rússia, a construção de uma mesquita vem provocando controvérsias em Moscou, conforme relata matéria do semanário alemão Der Spiegel (disponível para assinantes do portal UOL).
Além de ser um desdobramento que já ocorre em outros países europeus (como a proibição da burca na França e a questão sobre a imigração na Alemanha), a desconfiança cultural e social em relação ao Islã na Rússia tem um fator adicional: os conflitos separatistas existentes envolvendo povos de fé muçulmana que vivem na Rússia.
O mais conhecido deles é em relação à Tchetchênia, na conturbada região do Cáucaso, sul do país. Extremistas islâmicos vindos em especial dessa república separatista estiveram envolvidos em diversos atentados ocorridos na Rússia nos últimos anos. Em contrapartida, a reação violenta do governo russo alimenta o sentimento de ódio contra Moscou e os próprios grupos separatistas, já que as regiões que contestam a soberania do governo russo pouco ou nada recebem em troca. Um círculo vicioso que não ajuda nenhum dos lados a buscar um possível diálogo.
Estima-se que a população muçulmana na Rússia seja de 20 milhões de fieis, sendo que 1,5 milhão deles vivem na capital Moscou, local da mais nova polêmica.
Além de ser um desdobramento que já ocorre em outros países europeus (como a proibição da burca na França e a questão sobre a imigração na Alemanha), a desconfiança cultural e social em relação ao Islã na Rússia tem um fator adicional: os conflitos separatistas existentes envolvendo povos de fé muçulmana que vivem na Rússia.
O mais conhecido deles é em relação à Tchetchênia, na conturbada região do Cáucaso, sul do país. Extremistas islâmicos vindos em especial dessa república separatista estiveram envolvidos em diversos atentados ocorridos na Rússia nos últimos anos. Em contrapartida, a reação violenta do governo russo alimenta o sentimento de ódio contra Moscou e os próprios grupos separatistas, já que as regiões que contestam a soberania do governo russo pouco ou nada recebem em troca. Um círculo vicioso que não ajuda nenhum dos lados a buscar um possível diálogo.
Estima-se que a população muçulmana na Rússia seja de 20 milhões de fieis, sendo que 1,5 milhão deles vivem na capital Moscou, local da mais nova polêmica.
sábado, 23 de outubro de 2010
Jornal de SP destaca rivalidade entre Estrela Vermelha e Partizan na Sérvia
A rivalidade entre os times sérvios do Estrela Vermelha e do Partizan foi tema de reportagem do jornal Folha de S.Paulo deste sábado. Os dois times jogam hoje pelo campeonato sérvio, no estádio do Estrela Vermelha, com direito a um forte esquema policial para evitar carnificina entre as duas torcidas.
A análise seria mais válida se tivesse ocorrido logo após os lamentáveis incidentes provocados por torcedores do Estrela Vermelha em Gênova, provocando o cancelamento da partida entre Itália e Sérvia pelas eliminatórias da Euro-2012. Mas a matéria é feliz em apontar três fatores por trás da baderna provocada na Itália:
1 - a hostilidade de torcedores do Estrela Vermelha contra o goleiro Stojkovic, que trocou o clube pelo Partizan, onde atua hoje – com direito a depoimento do atacante brasileiro Cléo, agora naturalizado sérvio, que tomou o mesmo caminho em 2008 e também sentiu o peso da ira da torcida do Estrela Vermelha ao ir para o Partizan, onde hoje é ídolo.
2 – falar da origem dos times na antiga Iugoslávia. O Estrela era vinculado ao Partido Comunista e tinha a simpatia da polícia. Já o Partizan tinha como base o exército responsável pela libertação da Iugoslávia pelos nazistas (os Partisans), comandados pelo marechal Tito, logo depois presidente da Federação Iugoslava e simpático ao Partizan.
3 – voltar até a Batalha do Kosovo de 1389 para explicar as raízes do nacionalismo sérvio, usado como pretexto pelos baderneiros de plantão que, sem guerras, usam o futebol e outros eventos que atraem multidões para “ se expressarem”
Em geral as notícias dadas sobre o leste europeu costumam se bastante superficiais na grande imprensa. A matéria citada aqui, felizmente, vai no sentido contrário. Claro, alguns pontos passam despercebidos, como o fato da torcida Partizan estar longe de ser uma madre de pés descalços. Apesar de ser considerada mais tolerante do que a do Estrela Vermelha, é tão violenta quanto à rival.
Outro ponto não citado que pesa na rivalidade entre os dois times é justamente Tito. Herói da libertação iugoslava contra os nazistas,o marechal e comandante do país entre 1945 e 1980 era de origem croata – algo que os ultranacionalistas sérvios custam a engolir. Por isso, a torcida do Estrela Vermelha costuma chamar os apoiadores do Partizan de “croatas”, ofensa considerada grave entre os sérvios .
No balanço final, a matéria é muito positiva ao ir além do que se costuma ver na grande imprensa. Pena é que uma região com uma cultura e história tão ricas apareça no noticiário internacional mais por guerras passadas e badernas provocadas por vândalos do que pelas suas qualidades .
A análise seria mais válida se tivesse ocorrido logo após os lamentáveis incidentes provocados por torcedores do Estrela Vermelha em Gênova, provocando o cancelamento da partida entre Itália e Sérvia pelas eliminatórias da Euro-2012. Mas a matéria é feliz em apontar três fatores por trás da baderna provocada na Itália:
1 - a hostilidade de torcedores do Estrela Vermelha contra o goleiro Stojkovic, que trocou o clube pelo Partizan, onde atua hoje – com direito a depoimento do atacante brasileiro Cléo, agora naturalizado sérvio, que tomou o mesmo caminho em 2008 e também sentiu o peso da ira da torcida do Estrela Vermelha ao ir para o Partizan, onde hoje é ídolo.
2 – falar da origem dos times na antiga Iugoslávia. O Estrela era vinculado ao Partido Comunista e tinha a simpatia da polícia. Já o Partizan tinha como base o exército responsável pela libertação da Iugoslávia pelos nazistas (os Partisans), comandados pelo marechal Tito, logo depois presidente da Federação Iugoslava e simpático ao Partizan.
3 – voltar até a Batalha do Kosovo de 1389 para explicar as raízes do nacionalismo sérvio, usado como pretexto pelos baderneiros de plantão que, sem guerras, usam o futebol e outros eventos que atraem multidões para “ se expressarem”
Em geral as notícias dadas sobre o leste europeu costumam se bastante superficiais na grande imprensa. A matéria citada aqui, felizmente, vai no sentido contrário. Claro, alguns pontos passam despercebidos, como o fato da torcida Partizan estar longe de ser uma madre de pés descalços. Apesar de ser considerada mais tolerante do que a do Estrela Vermelha, é tão violenta quanto à rival.
Outro ponto não citado que pesa na rivalidade entre os dois times é justamente Tito. Herói da libertação iugoslava contra os nazistas,o marechal e comandante do país entre 1945 e 1980 era de origem croata – algo que os ultranacionalistas sérvios custam a engolir. Por isso, a torcida do Estrela Vermelha costuma chamar os apoiadores do Partizan de “croatas”, ofensa considerada grave entre os sérvios .
No balanço final, a matéria é muito positiva ao ir além do que se costuma ver na grande imprensa. Pena é que uma região com uma cultura e história tão ricas apareça no noticiário internacional mais por guerras passadas e badernas provocadas por vândalos do que pelas suas qualidades .
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