terça-feira, 28 de abril de 2009

Mensagem de prisioneiros é encontrada em Auschwitz

Uma descoberta no antigo campo de concentração e extermínio de Auschwitz, próximo a Cracóvia (sul da Polônia) dá nova munição a aqueles que clamam, com razão, para que o local seja preservado.

Matéria da Agência EFE relata que operários que trabalham em reformas no campo de concentração acham garrafa com mensagem escrita em 1944 por prisioneiros que estavam no local.


O assunto sobre a conservação de Auschwitz, que enfrenta graves problemas, já foi abordado anteriormente neste blog.

O mais novo achado no campo reforça a necessidade de preservar o local, como uma forma de relembrar as atrocidades cometidas pelo regime nazista. Estima-se que cerca de um milhão de pessoas – a maioria judeus – foram assassinadas em Auschwitz.

terça-feira, 21 de abril de 2009

“O processo do século”

Dentre tantas novelas e disputas em andamento nos Bálcãs, um delas foi chamada de “processo do século”. São as palavras do ministro das Relações Exteriores da Sérvia, Vuk Jeremić, sobre a já conhecida disputa entre Sérvia e Kosovo, que tenta defender sua independência – ainda não plenamente reconhecida internacionalmente – na Corte Internacional de Justiça. E que os sérvios tentam a todo custo anular.

Segundo notícias da B92, organização de mídia considerada indepedente na Sérvia, Jeremić diz que já tem a seu favor 30 países da comunidade internacional, dando destaque para China, Russia (aliada histórica dos sérvios), Brasil e Espanha . No Leste da Europa, aparecem Romênia e Eslováquia.

Pelo outro lado, Kosovo também conta com seus apoios – alguns deles de peso – pela comunidade internacional. A começar pelas principais forças da UE, como Alemanha, França e Inglaterra, além do único representante da ex-Iugoslávia no bloco, a Eslovênia. Os Estados Unidos completam o staff de apoio a Kosovo.

Como nenhuma das partes parece disposta a ceder, o impasse jurídico-internacional sobre Kosovo deve prosseguir. Mas uma coisa é certa. Pelas características culturais de sérvios e albaneses e pelas cicatrizes que uns carregam dos outros, é inimaginável que Sérvia e Kosovo voltem a fazer parte do mesmo país, pelo menos de forma pacífica. O que é, ao meu ver, um ponto a favor dos kosovares, que uma vez com a sensação de independência, podem até não ter a estrutura para um Estado funcionar, mas jamais aceitarão de novo ficar sob governo sérvio.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

“República da Macedônia do Norte?”

O governo da Grécia fez uma sugestão para acabar com o impasse em relação a sua vizinha, a Macedônia. Segundo o embaixador grego nos EUA, Alexandros Mallias, o país deve-se chamar “República da Macedônia do Norte”.

Os gregos seguem sem abrir mão do nome Macedônia, que consideram como parte de seu patrimõnio histórico e temeosos que o reconhecimento de seu vizinho do norte com o nome atual poderia levá-lo a reivindicar parte do norte do território grego, que também se chama Macedônia.

A matéria completa está no Balkan Insight, especializado em notícias sobre a região.

Agora, a pergunta que não quer calar: essa proposta, um tanto quanto indecorosa, vai pegar? Particularmente, duvido.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Tempo de decisão na Macedônia

Neste domingo, a Macedônia elegeu seu novo presidente, o candidato conservador Georgi Ivanov. O pleito é considerado chave para o futuro do país no cenário internacional, que almeja o ingresso na UE (união Europeia) e na Otan.

Para tanto, será necessária a resolução de outra pendência, que presegue o país desde sua independência, em 1991: a objeção grega quanto ao uso do nome Macedônia, que os gregos consideram parte exclusiva de seu patrimônio nacional.

Outro dado que cham a atenção na eleição foi a baixa participação da população, de 40,24% - é necessária a adesão de 40% do elitorado para o pleito valer. A explicação está no baixo comparecimento às urnas da minoria albanesa, que corresponde a um quarto da população da Macedônia, e se sente pouco representada no poder do país. A UE acompanhou de perto a votação no país candidato a ingressar no bloco.

A relação com essa minoria será de suma importância para o futuro do país no cenário internacional, tanto quanto a resolução de sua histórica pendência com a Grécia.

terça-feira, 31 de março de 2009

Em livro, escritor austríaco fala de enclave sérvio no Kosovo

"Nesta visita, ao contrário das vezes anteriores, a pretensão não era meramente a de estar lá, comemorar junto, olhar e ouvir. Algo me compelia a indagar extensivamente uma pessoa ou outra, avulsa, no Kosovo sérvio, de forma por assim dizer sistemática, no papel de um repórter ou – por mim! – no papel de um jornalista, e anotar as respectivas respostas. E isso eu queria fazer em um lugar onde eu já estivera antes, e não só uma vez, no enclave sérvio de Velika Hoča, ВЕΛИКА ХОЧА, uma vila no sul do Kosovo."

Isto é o que busca o escritor austríaco Peter Handke no livro "Die Kuckucke von Velika Hoča – Eine Nachschrift" (Os Cucos de Velika Hoča – Um Pós-Escrito), lançado neste mês na Alemanha - não há obras suas traduzidas para o português. A matéria abaixo, da Deutsche Welle, trata desta nova obra de Handke, cuja família é de origem eslovena.

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4114656,00.html

A temática dos Bálcãs é uma constante na obra de Handke, que já causou controvérsia pelas suas declarações anti-OTAN e a favor da Sérvia durante a Guerra do Kosovo, em 1999, quando criticou a política belicista da OTAN e os ataques a Belgrado.

Seu lado pró-Sérvia também fica evidente neste trecho da matéria: Ao enveredar numa caminhada pelos arredores albaneses, o caminhante é confrontado com o silêncio, sentindo falta de ruídos na paisagem. Não se ouvem nem mesmo os cucos onipresentes, notados pelo viajante imediatamente após sua chegada ao lugar. Uma imagem antípoda à "terra sonora", como Handke já descrevera a Sérvia. Ele também critica a "pretensa" neutralidade da mídia alemã, bastante ligada em assuntos relacionados com os Bálcãs.

segunda-feira, 30 de março de 2009

A "Guerra Fria" entre Rússia x Otan

O avanço da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre os países do antigo bloco chefiado pela União Soviética na Guerra Fria vem irritando os russos. E estes pelo jeito já tomam suas providências - sem é claro, toda aquela tensão que tomou conta da Europa na segunda metade do século XX.

Na seman passada, o presidente russo Dmitri Meedvedeev anunciou o reaparelhamento das Forças Armadas do país até 2011 para fazer frente ao crescimento da aliança militar ocidental, que sobreviveu ao fim da Guerra Fria. Em matéria da BBC Brasil de hoje (30/03), tema é retomado, desta vez enfatizando a intenção dos russos de consolidar sua influência sobre os vizinhos gastando bilhões em defesa.

http://noticias.uol.com.br/bbc/2009/03/30/ult36u46441.jhtm


E aí vai mais uma episódio nessa disputa. A Ucrânia – que há alguns anos vive às turras com os russos – é um dos países que pleiteia o ingresso na Otan. No entanto, a minoria russa que vive por lá não está gostando nem um pouco dessa aproximação Otan-Ucrânia. A foto abaixo mostra um protesto da minoria russa no momento da chegada de um dos navios da Otan no litoral ucraniano.


Outro país que sonha em ingressar na Otan é a Geórgia – a mesma que esteve em guerra contra a Rússia pelo controle das províncias rebeldes da Ossétia do Sul e da Abhkázia durante a Olimpíada de Pequim. A guerra, apesar de vencida pela Rússia nas armas, revelou deficiências do exército russo – problemas que devem ser alvo desse novo investimento em defesa anunciado pelo governo.

Por episódios como esse, dá para perceber que certos cacoetes da Guerra Fria, que acabou oficialmente em 1990, ainda continuam bem vivos no cenário geopolítico internacional. Apesar de não ser a mesma dos tempos da União Soviética e de estar sendo duramente afetada pela crise, a Rússia está bem longe de virar galiha morta na política internacional. É ainda um ator de peso nesse cenário e fará de tudo para manter esse status. Na diplomacia e nas armas, por mais que estas não sejam usadas - como não foram utilizadas até hoje as armas nucleares.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Quebradeira, crise e sombras sobre o Leste europeu

A crise também atinge com força os países do Leste europeu. Três governos já sucumbiram aos seus efeitos. Reportagem do jornal espanhol El País relatou o problema de forma bastante ampla (Abaixo, links para a matéria em espanhol e a versão traduzida para o português pelo UOL).

http://www.elpais.com/articulo/internacional/turbulencias/economia/hacen/caer/gobiernos/Europa/elpepuint/20090325elpepuint_12/Tes

ou

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2009/03/26/ult581u3128.jhtm

Em grande parte financiados por investimentos estrangeiros, potencializados com a entrada de alguns destes países na UE (União Europeia), a crise tem sido especialmente dura com os países do Leste, que devem grande parte de seu crescimento nos últimos anos ao ingresso na UE. Déficits públicos somados a vultuosas dívidas externas em euro, somadas à já costumeira instabilidade política desses países, são um prato cheio para um cenário de crise generalizada, com a economia estagnada de um lado e os protestos populares de outro – gerando sérios distúrbios sociais.

Governos de três países já caíram em virtude da crise econômica e de seus derivados políticos e sociais: Letônia, Hungria e, mais recentemente, da República Tcheca. Os dois primeiros, junto com a Romênia, já recorreram ao FMI para tentar obter algum alívio contra a escassez de crédito internacional e evitar um colapso econômico.

Outros países da região ainda conseguem enfrentar com relativa tranqüilidade a atual crise, como Polônia, Eslovênia, Eslováquia e até mesmo a República Tcheca, como mostra matéria da AFP abaixo:

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5hpKbiWDfJvlftydO50GGZ0gcKtDw


O cenário atual dá margem para uma série de questionamentos. Teria sido um passo maior do que a perna para a UE aceitar o ingresso de dez novos países de uma vez (a maioria deles do Leste) em 2004, e da Bulgária e Romênia em 2007? Na Alemanha, já há a intenção de barrar a entrada de novos países na UE, o que desagrada as nações balcânicas – teoricamente, as próximas a se juntarem ao bloco.

Para os que ainda não entraram no bloco, como a Sérvia (que precisou de US$ 4 bilhões do FMI para reforçar o dinar, moeda nacional que já perdeu 25% de seu valor nos últimos meses), ainda vale a pena esse ingresso ou a atual crise é uma mostra de que o sonho acabou e que a UE não é o melhor caminho para os países do Leste?

Esse tipo de debate deve aparecer não apenas no Leste, mas também na Europa Ocidental, grande financiadora dos países do Leste europeu visando fortalecer suas economias e, consequentemente as suas próprias e do bloco como um todo. Mas com os parceiros do Leste sem ter como pagar as dívidas, os do Oeste não têm de quem receber. Ou seja: quem vai pagar as contas, quando e como?

Está formado um cenário que é difícil saber onde vai dar, mas que as conseqüências diretas e imediatas desse balde de água fria na economia europeia serão bastante duras. E não adiantará a adoção de uma fórmula mágica para todos. Para cada doente será uma receita médica diferente. E ao mesmo tempo em que cada qual terá que fazer por si para superar a crise, não será possível fazer de conta de que se vive em uma ilha e tentar fazer tudo sozinho. Aí está a globalização, para o bem e para o mal. E é com ela presente que todos os países do globo tentarão, cada um fazendo por si e em conjunto, superar a atual fase - mesmo que o atual modelo econômico se torne letra morta num futuro próximo, o que em tempos de crise geral como a atual, não chegaria a ser uma surpresa.