Forças policiais da sérvia cercaram na terça-feira (23) uma casa em Belgrado (Sérvia) que supostamente seria dos familiares do general sérvio Ratko Mladic, acusado de crimes de guerra e genocídio. É a primeira ação com esse objetivo desde outubro de 2009.
Ele é um dos militares mais procurados para prestar contas por seus atos durante a Guerra da Bósnia e foi o comandante das tropas que, em 11 de julho de 1995, atacaram a cidade de Srebrenica, produzindo o maior massacre em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.
A vida de Mladic deve ter ficado mais difícil após 21 de julho de 2008. Nessa data, Radovan Karadzic, ex-presidente da República Sérvia da Bósnia e outro dos “cabeças” do massacre de Srebrenica e da Guerra da Bósnia, foi preso em Belgrado. Por mais que o governo sérvio – ou tendências dentro do mesmo – relutem ou mesmo resistam em entregar o militar, a prisão de Karadzic abre um precedente importante.
Se Karadzic foi entregue às autoridades de Haia, por que Mladic não poderia ter o mesmo destino – mais do que merecido, aliás?
A hora de Mladic pode, enfim, estar chegando...
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Onde eles estão?
Se há uma pergunta cuja resposta “vale um milhão de dólares”, certamente o paradeiro de Ratko Mladic e Goran Hadzic está entre as candidatas mais fortes. Para o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPI), que julga os crimes de guerra ocorridos na desintegração da antiga Iugoslávia, ambos estão escondidos em solo sérvio.


Ex-chefe militar dos sérvios da Bósnia e comandante do massacre de Srebrenica, Ratko Mladic é procurado desde 2006 pelo TPI. Sua entrega é considerada fundamental para que a Sérvia seja enfim aceita como integrante da União Europeia em um futuro próximo.
Já Hadzic, antigo líder sérvio na Croácia, responde no TPI por assassinato e deportação de centenas de pessoas no conflito entre sérvios e croatas entre 1991 e 1995.
Com a prisão do ex-presidente da Republica sérvia da Bósnia e também acusado de genocídio Radovan Karadzic, em 21 de junho de 2008, Mladic e Hadzic se tornaram os mais procurados criminosos de guerra da antiga Iugoslávia. A pressão pela captura de ambos deve ficar ainda maior este ano, quando completam-se 15 anos do massacre de Srebrenica, onde cerca de 8 mil bósnios foram assassinados.
Ex-chefe militar dos sérvios da Bósnia e comandante do massacre de Srebrenica, Ratko Mladic é procurado desde 2006 pelo TPI. Sua entrega é considerada fundamental para que a Sérvia seja enfim aceita como integrante da União Europeia em um futuro próximo.
Já Hadzic, antigo líder sérvio na Croácia, responde no TPI por assassinato e deportação de centenas de pessoas no conflito entre sérvios e croatas entre 1991 e 1995.
Com a prisão do ex-presidente da Republica sérvia da Bósnia e também acusado de genocídio Radovan Karadzic, em 21 de junho de 2008, Mladic e Hadzic se tornaram os mais procurados criminosos de guerra da antiga Iugoslávia. A pressão pela captura de ambos deve ficar ainda maior este ano, quando completam-se 15 anos do massacre de Srebrenica, onde cerca de 8 mil bósnios foram assassinados.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Água "batizada"
Por trás de um fato curioso, uma constatação importante.
Em Irkutsk, no leste da Rússia, 117 fiéis foram hospitalizados após beberem água benta durante a celebração religiosa ortodoxa da Epifania. Ao todo, 204 receberam tratamento médico.
Agora, o fato relevante: segundo despacho da Associated Press reproduzido pela Folha Online, grande parte da água de torneira da Rússia não é potável. Traduzindo em números, 75% da água de superfície da Rússia está poluída. A situação é pior próxima dos grandes centros industriais do país.
Em grandes cidades do país, como São Petersburgo, Kaliningrado e Ekaterinburgo, considerável parcela da população enfrenta falta de energia elétrica, de água potável e de saneamento básico.
Essa situação é uma das péssimas heranças deixadas pelo regime soviético na Rússia. Enquanto a indústria bélica e espacial era altamente desenvolvida, outros setores ficaram de lado, desde a indústria de bens de consumo até investimentos em saneamento básico. Métodos mais limpos de geração de energia e para preservação do meio ambiente também ficavam em segundo plano.
Para um país que chegou a rivalizar a hegemonia global com os EUA e até hoje é de grande influência no cenário politico internacional, não deixa de ser vergonhoso.
Em Irkutsk, no leste da Rússia, 117 fiéis foram hospitalizados após beberem água benta durante a celebração religiosa ortodoxa da Epifania. Ao todo, 204 receberam tratamento médico.
Agora, o fato relevante: segundo despacho da Associated Press reproduzido pela Folha Online, grande parte da água de torneira da Rússia não é potável. Traduzindo em números, 75% da água de superfície da Rússia está poluída. A situação é pior próxima dos grandes centros industriais do país.
Em grandes cidades do país, como São Petersburgo, Kaliningrado e Ekaterinburgo, considerável parcela da população enfrenta falta de energia elétrica, de água potável e de saneamento básico.
Essa situação é uma das péssimas heranças deixadas pelo regime soviético na Rússia. Enquanto a indústria bélica e espacial era altamente desenvolvida, outros setores ficaram de lado, desde a indústria de bens de consumo até investimentos em saneamento básico. Métodos mais limpos de geração de energia e para preservação do meio ambiente também ficavam em segundo plano.
Para um país que chegou a rivalizar a hegemonia global com os EUA e até hoje é de grande influência no cenário politico internacional, não deixa de ser vergonhoso.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Sinal amarelo na Bósnia
Após a independência do Kosovo em 2008, é possível o surgimento de um novo país no cenário internacional? Em se tratando de Bálcãs, essa possibilidade nunca pode ser descartada.
Um dos locais candidatos a ser a nova “bola da vez” é a chamada Republica Srpska, ou República Sérvia da Bósnia, uma das duas entidades que compõem a federação bósnia, ao lado de outra república, a Muçulmano-Croata. Essa divisão, para lá de complexa, foi estabelecida pelo Acordo de Dayton, em novembro de 1995, que encerrou a Guerra da Bósnia. Mas ela já mostra sinais de esgotamento.
Quem chama a atenção para o problema é uma matéria do jornal britânico “The Times” (http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/world_agenda/article6987866.ece#cid=OTC-RSS&attr=6986833).
No Brasil, o blog Radar Global repercutiu o texto:
http://blogs.estadao.com.br/radar-global/bosnia-vive-temor-de-novo-conflito/
O líder servo-bósnio Milorad Dodik iniciou recentemente sua campanha eleitoral com a promessa de levar adiante um referendo propondo a separação da região onde os sérvios bósnios vivem, conhecida como República Srpska, do restante da Bósnia. Aseleições no país estão marcadas para o próximo semestre.
Os sérvio-bósnios consideram que o reconhecimento da independência unilateral do Kosovo abre precedente para que novos parâmetros sejam levados em conta para outros processos de secessão. Nesse caso, seguindo tal raciocínio, a República Sérvia da Bósnia teria o direito de decidir, por meio de um plebiscito, seu futuro como parte da Bósnia e reivindicar a independência.
Uma resolução nesse sentido foi aprovada pelo Parlamento sérvio-bósnio já em 21 de fevereiro de 2008, poucas semanas após a proclamação de independência kosovar. E agora ganha novo fôlego com a campanha de Dodik.
Outro ingrediente nesse caldeirão é a pretensão da Bósnia de ingressar na UE, sonho de consumo dos países balcânicos e que se tornou mais palpável a partir do ingresso da Eslovênia no grupo, em 2004. Para tanto, a Bósnia tem o desafio de manter o país unido – tarefa hercúlea, já que não há uma grande integração entre as entidades que compõem a federação bósnia.
Em 2010, alem da eleição, completam-se 15 anos do massacre de Srebrenica, o maior genocídio em solo europeu desde o fim da II Guerra Mundial. Poderia ele ser usado na retórica de líderes bósnio-croatas contra os sérvio-bósnios? Nada pode ser descartado.
Apesar de em geral ficarem à margem do cenário internacional, os Bálcãs podem voltar a ser palco de um conflito em breve. O sinal amarelo já foi acionado.
Um dos locais candidatos a ser a nova “bola da vez” é a chamada Republica Srpska, ou República Sérvia da Bósnia, uma das duas entidades que compõem a federação bósnia, ao lado de outra república, a Muçulmano-Croata. Essa divisão, para lá de complexa, foi estabelecida pelo Acordo de Dayton, em novembro de 1995, que encerrou a Guerra da Bósnia. Mas ela já mostra sinais de esgotamento.
Quem chama a atenção para o problema é uma matéria do jornal britânico “The Times” (http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/world_agenda/article6987866.ece#cid=OTC-RSS&attr=6986833).
No Brasil, o blog Radar Global repercutiu o texto:
http://blogs.estadao.com.br/radar-global/bosnia-vive-temor-de-novo-conflito/
O líder servo-bósnio Milorad Dodik iniciou recentemente sua campanha eleitoral com a promessa de levar adiante um referendo propondo a separação da região onde os sérvios bósnios vivem, conhecida como República Srpska, do restante da Bósnia. Aseleições no país estão marcadas para o próximo semestre.
Os sérvio-bósnios consideram que o reconhecimento da independência unilateral do Kosovo abre precedente para que novos parâmetros sejam levados em conta para outros processos de secessão. Nesse caso, seguindo tal raciocínio, a República Sérvia da Bósnia teria o direito de decidir, por meio de um plebiscito, seu futuro como parte da Bósnia e reivindicar a independência.
Uma resolução nesse sentido foi aprovada pelo Parlamento sérvio-bósnio já em 21 de fevereiro de 2008, poucas semanas após a proclamação de independência kosovar. E agora ganha novo fôlego com a campanha de Dodik.
Outro ingrediente nesse caldeirão é a pretensão da Bósnia de ingressar na UE, sonho de consumo dos países balcânicos e que se tornou mais palpável a partir do ingresso da Eslovênia no grupo, em 2004. Para tanto, a Bósnia tem o desafio de manter o país unido – tarefa hercúlea, já que não há uma grande integração entre as entidades que compõem a federação bósnia.
Em 2010, alem da eleição, completam-se 15 anos do massacre de Srebrenica, o maior genocídio em solo europeu desde o fim da II Guerra Mundial. Poderia ele ser usado na retórica de líderes bósnio-croatas contra os sérvio-bósnios? Nada pode ser descartado.
Apesar de em geral ficarem à margem do cenário internacional, os Bálcãs podem voltar a ser palco de um conflito em breve. O sinal amarelo já foi acionado.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Sérvia bate à porta da UE
Em 19 de dezembro, a UE passou a permitir que cidadãos de Sérvia, Macedônia e Montenegro entrassem em países do bloco sem anecessidade de visto. Tal fato pode até parecer pouco, a princípio. Mas não para a Sérvia.
O país, o maior da antiga Iugoslávia, era tratado como uma ovelha negra do continente. Grande parte de sua péssima reputação se deve especialmente aos anos em que foi comandada por Slobodan Milosevic, o” carniceiro dos Bálcãs”, entre 1989 e 2000, quando foi derrubado.
Alguns sérvios comparam esse avanço como uma “queda da Bastilha”, ao permitir uma nova fase nas relações da Sérvia com a Europa.
Certos países ainda sofrem restrições quanto ao trânsito de seus cidadaõs pela europa. É o caso das antyigas repúblicas soviéticas de Belarus e Urcânia, além da Bósnia e de Kosovo. Este último, claro, é um caso ainda mais complicado, já que sua independência, mesmo considerada irreversível, ainda não goza de pleno reconhecimento internacional.
O país, o maior da antiga Iugoslávia, era tratado como uma ovelha negra do continente. Grande parte de sua péssima reputação se deve especialmente aos anos em que foi comandada por Slobodan Milosevic, o” carniceiro dos Bálcãs”, entre 1989 e 2000, quando foi derrubado.
Alguns sérvios comparam esse avanço como uma “queda da Bastilha”, ao permitir uma nova fase nas relações da Sérvia com a Europa.
Certos países ainda sofrem restrições quanto ao trânsito de seus cidadaõs pela europa. É o caso das antyigas repúblicas soviéticas de Belarus e Urcânia, além da Bósnia e de Kosovo. Este último, claro, é um caso ainda mais complicado, já que sua independência, mesmo considerada irreversível, ainda não goza de pleno reconhecimento internacional.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
UE pede, e Lituânia fecha sua única usina nuclear
No retorno deste blog após meses adormecido (por falta de tempo para atualização, já que assuntos não faltam sobre o Leste europeu), um velho tema em pauta: a questão nuclear na região.
Após 26 anos de funcionamento, a usina nuclear de Ignalina, a única da Lituânia, deixa de operar. O fechamento atende a um pedido da UE, bloco econômico do qual o país faz parte desde 2004.

A usina, é do mesmo modelo de Chernobyl (Ucrânia), que explodiu em 1986 e aterrorizou a Europa. O medo de que um desastre parecido ocorra no continente continua bem presente no imaginário europeu.
Com o fechamento, a Lituânia se tornará mais dependente da energia que vem da vizinha Rússia – algo que sem dúvida não deve alegrar muito os lituanos. O preço da energia consumida no país também deve sofrer grande reajuste.
É de se esperar que a Lituânia receba algum tipo de compensação financeira ou comercial para abrir mão de sua maior fonte de energia. A usina de Ignalina já chegou a responder por 80% da energia consumida no país.
O fechamento de Ignalina pode ser um indício do que pode ocorrer com outras usinas nucleares localizadas em países do Leste Europeu – e que nem sempre estão em boas condições de operação. Mas também traz à tona uma contradição dentro da UE, já que ao mesmo tempo que países-membros do bloco são pressionados a fechar suas unidades nucleares, outros países como a França continuam a ter sua matriz energética apoiada especialmente sobre a energia nuclear.
Após 26 anos de funcionamento, a usina nuclear de Ignalina, a única da Lituânia, deixa de operar. O fechamento atende a um pedido da UE, bloco econômico do qual o país faz parte desde 2004.

A usina, é do mesmo modelo de Chernobyl (Ucrânia), que explodiu em 1986 e aterrorizou a Europa. O medo de que um desastre parecido ocorra no continente continua bem presente no imaginário europeu.
Com o fechamento, a Lituânia se tornará mais dependente da energia que vem da vizinha Rússia – algo que sem dúvida não deve alegrar muito os lituanos. O preço da energia consumida no país também deve sofrer grande reajuste.
É de se esperar que a Lituânia receba algum tipo de compensação financeira ou comercial para abrir mão de sua maior fonte de energia. A usina de Ignalina já chegou a responder por 80% da energia consumida no país.
O fechamento de Ignalina pode ser um indício do que pode ocorrer com outras usinas nucleares localizadas em países do Leste Europeu – e que nem sempre estão em boas condições de operação. Mas também traz à tona uma contradição dentro da UE, já que ao mesmo tempo que países-membros do bloco são pressionados a fechar suas unidades nucleares, outros países como a França continuam a ter sua matriz energética apoiada especialmente sobre a energia nuclear.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Trabant pode voltar em 2012
Fora de linha desde 1991, o Trabant (carro-símbolo da antiga Alemanha Oriental), pode voltar às ruas em 2012. Um protótipo dessa nova cara do "Trabi" está prevista para ser apresentada durante o Salão de Frankfurt, em setembro.
O novo Trabant deve ser ecolocicamente correto, movido a energia elétrica e voltado para uso urbano. Dessa forma, busca abandonar o antigo estigma de um dos piores carros do mundo.
A iniciativa vem de um consórcio entre a empresa alemã Indikar e a francesa Herpa - que já produz miniaturas do carro desde 2007 e que fazem grande sucesso. Mas ainda faltam recursos financeiros para a continuidade do projeto – as duas empresas estão em busca de investidores.
Cerca de 3 milhões de "Trabis" foram produzidos entre 1957 e 1991 na Alemanha Oriental. Na época, o carro era produzido com uma mistura de plástico e papelão ou fibra de algodão. O carro de formato antiquado atingia no máximo 120 quilômetros por hora, tinha motor barulhento e poluente e as janelas traseiras não abriam.
O novo Trabant deve ser ecolocicamente correto, movido a energia elétrica e voltado para uso urbano. Dessa forma, busca abandonar o antigo estigma de um dos piores carros do mundo.A iniciativa vem de um consórcio entre a empresa alemã Indikar e a francesa Herpa - que já produz miniaturas do carro desde 2007 e que fazem grande sucesso. Mas ainda faltam recursos financeiros para a continuidade do projeto – as duas empresas estão em busca de investidores.
Cerca de 3 milhões de "Trabis" foram produzidos entre 1957 e 1991 na Alemanha Oriental. Na época, o carro era produzido com uma mistura de plástico e papelão ou fibra de algodão. O carro de formato antiquado atingia no máximo 120 quilômetros por hora, tinha motor barulhento e poluente e as janelas traseiras não abriam.
Apesar do apelido pejorativo que ganhou no fim de sua existência, de "Pior carro do mundo", era motivo de orgulho na antiga Alemanha Oriental. O modelo se tornou uma espécie de símbolo cult do passado alemão e algumas unidades realizam passeios monitorados pelo país.
Até hoje cerca de 200 mil Trabants são mantidos por colecionadores e clubes de admiradores do carro pelo mundo.
Até hoje cerca de 200 mil Trabants são mantidos por colecionadores e clubes de admiradores do carro pelo mundo.
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